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Bate Papo

Entrevista – Gustavo B.

By April 29, 2021May 27th, 2021No Comments

Entrevista Gustavo B.

Meu nome é Gustavo. Em alguns lugares mais conhecido como Gusta, ou mesmo Gus, ou até “Gu”.

Ouça a Entrevista:

Como você começou na carreira?

Trabalho com áudio, principalmente para publicidade, há 14 anos. Minha história com locução partiu da música. Me formei em composição na FAAM (bacharelado). E fiz também alguns cursos que complementam essa formação musical. Na Berklee (Orchestration for Film and TV), no IAV, entre alguns outros. E isso me levou, enquanto ainda estava pelo meio da faculdade, a um primeiro estágio em produtora de som. A primeira foi a Lua Nova, uma produtora aqui de São Paulo, e depois vieram outras.

Neste meio, eu fiquei e me desenvolvi. Fui percebendo que o treino do “ouvido musical”, é um ótimo complemento para quem trabalha com voz. A entonação da nossa fala é como música, é melodia. Então, um bom locutor, mesmo que não seja músico, provavelmente tem uma boa percepção musical. E então, dentro das produtoras de áudio, tive a oportunidade de escutar as gravações, escolher takes, editar vários profissionais feras, com diferentes estilos e backgrounds;

 E depois, já com mais experiência, também de dirigir essa turma, gravar locuções guia. Essa prática do dia-a-dia foi me dando casca, e daí nasceram as primeiras oportunidades, inclusive com voz cantada.

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Qual é a habilidade mais importante para um(a) locutor(a)?

Acho que não tem “uma” habilidade mais importante. Mas há uma lista delas!
Se eu precisasse escolher uma, para hoje, seria a capacidade de adaptação às transições do mundo atual.

E isso envolve:
– Reciclar a linguagem da nossa locução. Identificar e eliminar vícios, se necessário;
– Existir no mundo digital. Se você não está na Internet, você não existe. É importante ter site, estar presente nas redes sociais, em sites de agências de locução como esta, a Loc On Demand, e outros também;
– Paradigmas do mundo estão sendo cada vez mais questionados. É importante compreendê-los. Não ser antiquado. Praticar o respeito a tudo e a todos;
– Preparar uma estrutura para gravar remoto. A melhor possível, dentro das possibilidades de cada um. 2020 e 2021 estão mostrando que muita coisa veio pra ficar. Então, essa capacidade de adaptação às mudanças do mundo, com ou sem pandemia, é fundamental.

Quais são os maiores desafios que essa profissão apresenta no cotidiano?

Como em qualquer profissão, nosso maior desafio é a gente mesmo. Pensando que somos profissionais autônomos, funcionamos como uma empresa, e o produto é a nossa voz. É necessário uma autoadministração.
– Fazer o seu “RH”: se motivar, ter disciplina;
– Ter um bom produto: investir em cursos, workshops, infraestrutura, equipamentos e software, fonoaudiólogos;
– Comercial: fazer com que o produto chegue nas pessoas de forma harmônica, cobrar no formato certo (independente do valor do seu cachê), ampliar relacionamento;
– Atendimento: o processo com o cliente precisa fluir bem, sem “truncar”;
– Financeiro: boa organização, “planilhar” jobs e orçamentos, projetar fluxo de caixa;
Tudo isso resume aquele ponto central: o maior desafio é se auto-administrar, com excelência.

Tem alguma história engraçada ou briefing diferenciado pra contar pra gente?

Nem bem de locutor e nem bem de produtor. Essa tá mais para uma daquelas histórias de bombeiro! Agência grande, cliente grande, filme de cerveja. Tudo aprovado, prontinho e perfumado para ir para o ar.

Perceberam um problema sério em relação a um termo: não podia falar “Copa de 2014” no filme, por ser uma marca da Fifa. Só que tudo já estava filmado, e era um elenco de artistas famosos. Como consertar?

Solução: dublar o ator naquele trecho, mas trocando o termo por outras palavras. Mas chamar o artista para se dublar geraria outra diária e ele nem tinha agenda. Aí virou incêndio. Gravamos com quem estava na casa: locutor, finalizador, encanador, tia, vó, cachorro, galinha… Procurando chegar no timbre de voz do ator. No final deu certo, com a minha voz até. Embora isso pouco importe! Claro, isso não é job, muito menos repertório. Apenas história de bastidor.

Qual a importância de agências de locução como a Loc On Demand para o seu trabalho?

As agências de locução são uma ferramenta importante geradora de trabalhos para a gente. É como uma agência de modelos, uma agência de casting de atores. Só que é para nós, que trabalhamos com a voz. O contratante pode chegar direto em você? Pode, se você estiver fazendo uma boa divulgação. Mas uma boa agência de casting (como a Loc On Demand, por exemplo), encurta caminhos. Tanto para você, quanto para quem está contratando.

A agência de casting tem o objetivo de oferecer para o cliente, algo dentro do briefing que ele precisa. Então, quando seu perfil de voz tem a ver com o job, sua voz é oferecida para o cliente. Assim, independentemente de você estar ou não divulgando bem o seu trabalho, por estar na agência, a sua voz chega no seu público-alvo, que é o contratante.

Outro ponto positivo: em geral, a agência não impõe que você faça o job. Ela propõe. Você pode participar de um casting e ter chance de ser aprovado, ou pode até pintar um job direto para você. A agência pode ou pedir para você orçar, ou já chegar com um budget fechado. E você tem a opção de topar ou não.

Quais são os seus objetivos daqui pra frente? Alguma novidade por vir?

Ser cada vez mais útil.

Continuar tendo prazer com a profissão, que eu adoro. Ter ainda mais prazer, se possível. Me divertir trabalhando. Continuar evoluindo como profissional. Então: estudar, me atualizar, ampliar minha rede de parceiros, muitos que se tornam amigos. Ser um ser humano melhor. Me melhorar. E quem sabe também, numa oportunidade como essa, poder passar para a frente o que for possível do que já aprendi neste caminho. Que inclusive, nem acho que é muito.

Com certeza tenho muito a aprender com cada profissional e experiência. Colocando como objetivo de vida esses tópicos de que me lembrei agora, tenho convicção de que naturalmente vem, tudo aquilo que a gente quer e precisa: volume de trabalho, retorno financeiro, até ser requisitado, sentir que agrego valor às marcas. E a chave é essa: servir. Ser útil.

Qual conselho você daria para quem está começando no ramo?

O que procuro praticar, e é válido para qualquer tipo de início: (1) reconheça-se e (2) reconheça o meio onde você quer entrar. O “reconheça-se”, é porque cada um está em um ponto, um start diferente. Às vezes você é ator e quer gravar locução, às vezes você acabou de fazer um curso de radialista, às vezes você é finalizador, trabalha em produtora. Ou às vezes você quer mudar de profissão, e é de uma outra área, mas é o seu sonho.

Às vezes alguém identificou em você um talento, um potencial na sua voz. E você quer explorar. Se reconhecer é descobrir as próprias virtudes e tomar conhecimento das lacunas. E também é saber, descobrir o que você quer. Ou seja: qual nicho (e pode ser mais de um), das várias possibilidades do mercado da voz, te atrai. Tem vários: locução comercial, vídeos institucionais, audiolivros, e-learning, espera telefônica, localização de games, entre outros.

Aí entra o “reconhecimento do meio”, que é um trabalho de pesquisa: analisar como funciona o mecanismo deste(s) nicho(s) desejado(s). Essa análise dá condições de confrontar o que você já tem e o que você não tem, com o que é necessário ter para chegar no lugar onde você deseja. Feito esse “dever de casa”, naturalmente surgirão boas ideias de por onde começar!

Que características melhor descrevem o seu trabalho como profissional da voz?

Os feedbacks que mais tive são sobre responsabilidade (a “ponta firme”), parceria, versatilidade e entrega rápida.

Facilidade para me gravar e editar me ajuda muito nesse quesito “velocidade”. Ter estúdio em casa, hoje um estúdio profissional. E também estar preparado quando estou fora. Sempre levo comigo um sistema remoto de gravação, microfone específico.

Um fato interessante: no meu início de carreira, houve uma produtora onde gravei e editei muitos audiolivros com narração de outros locutores. Eram centenas de horas de material, então precisei criar alguns macetes para me ajudar na agilidade de edição.

Conforme o tempo passa, a quantidade de clientes parceiros foi aumentando. Tem cliente que vira colega para a vida. Falamos sobre tudo: o mundo, crenças, filosofia, etc., e de forma prazerosa e construtiva, o relacionamento sai do âmbito apenas trabalho.

Sobre ser versátil, acho que um dos pontos é cantar. Tem a ver com a minha formação. Já gravei alguns jingles, muito coro em trilhas…
E voltando para a voz falada (locução clássica, natural, caricata, personagem…), há 2 pontos me ajudam:

(1) Ter gravado e escutado muitos profissionais de ponta. Aprendi muito ao escutar diferentes estilos. E (2) Ter a possibilidade de me testar em laboratório: me gravar e regravar várias vezes. Até no mínimo eu sentir que é o meu melhor possível, e estou satisfeito pra entregar.

Esse é um campo que eu quero explorar mais, estudar. Assim como eu mesmo tenho me descoberto nisso, algumas pessoas já estão começando a descobrir esse meu lado também!

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